15 de janeiro de 2011

Meu Ódio Será sua Herança


The Wild Bunch
(Meu ódio será sua herança)

Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: Sam Peckinpah e Walon Green
Produção: Phil Feldman
Ano: 1969
Elenco: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Emilio Fernandez…
Duração: 143 minutos

A obra-prima de Peckinpah não apenas dá espaço para a violência, mas também mostra perfeitamente a transição do velho-oeste para um mundo completamente urbanizado e novo.

Análise: Este é o filme que podemos certamente chamar de clássico. Em minha opinião, o grande filme da carreira de Peckinpah. Porém, apesar de tudo isso, ele não foi bem recebido. E sabe por quê? Por causa do pensamento do diretor. Em seu mundo cinematográfico, a morte era a principal personagem. Só na cena final deste filme, Peckinpah gastou exatamente 12 dias e mais de 10.000 cartuchos de balas de festim. Apenas na cena final! Imagina em todo o seu filme?! A violência predomina constantemente, e é isso que muitas pessoas não entenderam sobre o diretor. Porém, é assim o mundo de Sam Peckinpah. E é assim que ele se torna um magnífico diretor: sem medo de colocar as suas ideias em prática, sem medo do resultado final, porém sabendo que ali tem o seu toque de mestre.

Após meus elogios a um dos grandes diretores do western, também podemos citar o principal objetivo do filme: mostrar a transição do fim de uma era para o início de outra. Enquanto os cowboys acabavam, os homens de terno estavam apenas nascendo. Assim como a areia dos desertos davam lugar aos asfaltos; os cavalos aos carros; e as armas... Bem, as armas comuns, de seis tiros, davam lugar às metralhadoras, às pistolas e muitas outras! Isso é outro detalhe que podemos ver facilmente na película.

Também, juntamente com essas transições do mundo real, podemos ver a grande transição do mundo cinematográfico. Em cenas acompanhadas pelos diversos tiros, percebemos o que na época era novidade: o slow motion. Isso mesmo, na época das filmagens, este efeito era simplesmente algo difícil de encontrar em outros filmes. Ou seja, mais um objeto para ser acrescentado na conta de Sam Peckinpah. Aliás, na cena da explosão da ponte, a qual é uma das cenas mais marcantes do filme (além dos tiroteios), utilizou-se o efeito slow motion.

Bom, a história foi inventada por Walon Green (o qual, juntamente com Peckinpah, escreveu o roteiro) e por Roy Sickner. Fala sobre uma veterana gangue de foras-da-lei, conhecidos como “The Wild Bunch”, que se envolvem no auge da sangrenta Revolução Mexicana. Entre os membros da gangue estão Pike (William Holden), Dutch (Ernest Borgnine), Angel (Jaime Sánchez), Tector (Ben Johnson)...

E o filme se inicia com a própria gangue, vestida como soldados americanos, entrando na fictícia cidade de San Rafael. Antes de entrarem na cidade, sentem algo ruim, vendo um grupo de crianças “brincando” com escorpiões. Já dentro da cidade, a gangue entra em um escritório da estrada de ferro para roubá-lo. O único problema é que não sabem o que lhe esperam: do outro lado da rua, em um telhado, está uma gangue de caçadores-de-recompensa, prestes a envolvê-los em um tiroteio que faria uma carnificina, em uma das melhores cenas do filme. Após este tiroteio, os foras-da-lei sobreviventes fogem para o México, e é aí que se encaixa a Revolução Mexicana. É também neste momento que se cria uma nova história para a película, com novas missões dadas para a gangue, pelo engraçado general Mapache (Emilio Fernandez). Com tudo isso, a gangue dos caçadores-de-recompensa responsáveis pelo tiroteio vai atrás dos Wild Bunch, para ganhar a recompensa prometida.

Abaixo, as duas cenas mais memoráveis do filme: a inicial e a final.
Uma ótima fotografia com lugares maravilhosos, por Lucien Ballard, figurinos indispensáveis por Gordon Dawson, maravilhosas atuações, músicas incríveis de Jerry Fielding e sem deixar de lado a grande direção de Sam Peckinpah. Com tudo isso, a película com certeza marca uma nova história: tanto da vida real, quanto do cinema.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 9,5
ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

Um comentário:

  1. Um bom filme para mim, mas que incontestavelmente bebe nas idéias do Western Spaghetti, principalmente no filmes de Leone (Por um punhado de dólares). Não considero suas idéias originais. O embrião já estava em vários spaghettis (a violência estilizada,a ambição exarcebada)e mesmo a câmera lenta já tinha sido usada em Era uma vez no Oeste nos flahsback's da personagem Harmônica (Charles Bronson)com muito mais propriedade.Peckinpah usa o recurso exageradamnete, até em momentos onde não havia necessidade. Muitos críticos já identificaram a influência de Leone neste filme, Ante de realizá-lo ele já tinha assistido "Por um punhado de dólares", que foi exibido no EUA em 1967 com os outro dois da trilogia por uma distribuidora(se não me engano a MGM) que negociou os direitos de distribuição com Leone naquele país.Consta que ele ficou impressionadíssimo com a violência de "Por um punhado...". Existem sites e livros que registram esse fato.

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